14 de julho de 2010

Creme para crianças negras

Apesar de ser magricela, sou super saudável, sem vícios, nem dependência química, pena não poder dizer o mesmo sobre o meu cabelo, que adora uma novidade e é viciado em formol e guanidina.
Quando fui morar em Londres não sabia como cuidaria do meu cabelo, já que os produtos que ele estava acostumado aqui eram muito caros lá. Ele já estava entrando numa crise de abstinência quando conheci uma portuguesa vaidosa que dizia ter a solução para os meus problemas, um poderoso creme para crianças negras. O produto era indicado para alisar cabelos de crianças afro-descendentes com uma fórmula menos agressiva que o indicado para adultos.
Confesso que fiquei insegura, mas a embalagem me tranqüilizou, uma linda garotinha negra de cabelos lisos, sorrindo feliz pela transformação em seu cabelo. Então pensei: se o cabelo dela ficou com essa franja, eu vou bombar!




Topei fazer a experiência, só que a portuguesinha só podia fazer isso no dia em que todos os brasileiros de Londres estavam reunidos na casa 203A, onde eu morava na época. Olguita era minha vizinha e fomos a casa dela para dar início ao processo de transformação. Tudo fluía perfeitamente, já sentia as madeixas lisas e soltas, quando o ser amado pela portuguesa começou a ligar constantemente querendo que ela voltasse logo: Vem logo minha plincesinha linda. Tô de saudade da minha portuguesinha linda. Quem o ouvia falando assim, jamais imaginaria que 5 meses depois disso ele ameaçaria jogar o DVD dela pela janela.
Como Olguita não resistiu aos chamados do amor, desistiu de escovar meus cabelos após finalizar a aplicação do produto. Ao invés disso, passou um óleo, que parecia de cozinha, o que deixou meu cabelo mais preto que carvão e mais oleoso que pastel de feira. Já saí da casa dela encapuzada, queria fugir, mas não havia transporte público na cidade no feriado de Natal, data que escolhi para ganhar este presente. Percebi que o indiano da esquina me olhava diferente, na verdade percebi que todo mundo na rua me olhava. Dentro de mim eu já sabia o que me esperava, afinal todos estavam ansiosos para ver os resultados do tal creme para crianças negras.
Nenhuma casa na Inglaterra, quiçá na Europa, teve um Natal tão feliz e alegre, as gargalhadas eram inúmeras, só eu não achava graça da situação. O óleo escorria tanto que dava pra fritar acarajé, meu apelido passou a ser Jamelia, uma cantora inglesa de R&B, ganhei até CD dela para aprender a cantar as músicas.
Não tenho foto do resultado desastroso da mudança, mas segue foto de Jamelia e o pior é que o cabelo ficou parecido mesmo, só que um pouco mais oleoso.

6 comentários:

  1. Nunca vou me esqucer este Natal!! Foi a melhor festa de todas!! Afinal sem muito esforços todo mundo pode rir de vc e vc não pode falar nada hauhauhauhaua Ate realçaram os olhinhos redondos e negros!! Ow meu deuso!!! Bjos

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  2. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk....
    Demorou mais chegou!!!!! Ameiiiii...
    Pena q no blog na dá pra colocar o sotaque portugues de Olga tentando explicar o resultado desastroso do produto p/ crianças negras...
    Muito boommmmm!!!!!

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  3. kkkkkkkkkkk! Ô Moca como eu queria ter visto isso! kkkkkkkkkk

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  4. Essa historia vc nunca me contouuu!!!!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk se ficou quase desse jeito o resultado foi positivo né?
    Diga que vc não sentiu saudades de Dona Raimundo nessa hora?!?!?!?!
    huishuihsuishsu

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  5. Pelo menos as unhas de Olguita não eram tão afiadas quanto as de D. Raimunda negona...me dói só de pensar...

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